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Um nome em RG.

Foto do escritor: Verbo Por Elas
Verbo Por Elas
28 de ago. de 2018
1 min de leitura

Tenho um nome paterno em meu RG, mas não tenho um pai.

Sabe, é estranho, não sei como me senti quando ele se foi.

Creio que sua ausência foi se tornando gradativa, até se tornar completa.

Antes Pai, agora Natanael, João, Paulo, Marcos.

Infinitos nomes e infinitos filhos deixados vazios.

Em alguns rompantes, minha mente se perpetuou com a possibilidade de uma vida com a presença paterna.

Mas sempre que ocorria, o pensamento que toda minha vida teria sido diferente me assombrava.

Uma educação diferente.

Um estado emocional diferente.

Uma família diferente.

Talvez esteja a fantasiar demais.

Talvez poderia ter sido pior.

Talvez. Talvez. Talvez.

A sua partida, nos deu a incerteza.

Será que vamos conseguir?

Será que não vai faltar?

Será que volta?

Será que ele nunca nos amou?

Mas, entre tantas incertezas, tristes certezas foram se enraizando, pra sempre comigo, com ela, com todos.

A certeza da loucura dela.

A certeza da não-família.

A certeza da falta.

A certeza da raiva.

A certeza da indiferença.

Então, veio o Torpor.

Creio que seja essa a palavra que defina o que todos sentimos por ti.

Já não sentimos falta, nem raiva, nem mágoa. Nada.

Estamos numa insensibilidade forçada.

A muito, muito tempo dessa maneira.

E numa constatação agoniante é mais fácil não sentir.

Ir vivendo com algumas perguntas que jamais serão respondidas por Natanael, João, Manoel, José.

Com a certeza que existiram, pelos seus nomes em nosso RG.


Texto: Danielle Oliveira

Foto: Danielle Oliveira

 
 
 

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